Monday, January 17, 2005

Atras das Portas Enferrujadas (Parte I)

Crio imagens de mim, assim, como uma projecao vislumbre. Onde foram se ofuscar os raios que projetam o meu ser. Tantas diferencas ou secretos de anonimos desprovidos de uma originalidade. A projecao me propoe imagens lepidas, e eu ali tentando me encontrar com um sorriso adiante de companhias que abafariam uma tacivel realidade. Estou bebendo. Alcool, afinal, eh conceituado na sociedade como uma bebida social. A embriaguez me altera de tal fato que resisto e domino as minhas tristezas. Eh na tristeza que encontro o meu prazer de certa forma, pois nela reconheco a ponte para outros estados de mentes. Menos praticados porem mais teoricos teologicamente. Racionalmente autocombusto o meu corpo com venenos que derreteriam mentes escabulosas, me vestiria de uniforme ubiquito. Na imagem eu procuro cantos, procuro estrelas para me responderem frases sabias e sucintas. Nela perco a uniao social e me encontro sozinho, tentando me comunicar com planetas ou bolas de fogo. As estrelas sao solitarias, a unica magia nelas eh a linguagem que nela se esconde. Ao procurar este alfabeto vejo o passado se desvelar sobre mim. Os meus problemas retornam e vao ganhando densidade nas minhas preocupacoes. Como um cancer, o que passou vem me preocupando e me menosprezando ate eu escorregar e cair de cabeca, ou entao ate eu sucumbir ao meu negativismo e me declarar rei das tristrezas que me circundam. Se, nenhuma razao do presente eu lacrimejo, por falta de forca, amparo ao sorriso que podera vir tao de repente e por uma simples analise interior. Eh um momento em que tudo parece faltar sentido, muito mais a minha existencia que eh o essencial de qualquer acao ou suspiro que ja dei na minha vida inteira. O momento eh curto, mas suficiente para meu rosto se entorpecer grotescamente de tal pavor que a expressao seja reconhecida universalmente.

Mudo para outro tempo, que essa projecao vem a me mostrar outra situacao. Menos propicia. Eu, encolhido no canto de um quarto que manca luminosidade, apenas alguns brilhos perfuravam as minhas retinas umidas de agua salgada. Era eu no desespero, eu mancava o sorriso da primeira projecao que fui assistir. Ja nao temia guardar meus sentimentos e os largava com maos abertas e afinco determinado. Afogava-me no meu pudor sentimental, agarrava com forca indescritivel os lencois da cama que estava do meu lado. Abria eu os olhos paulatinamente para me encontrar envermelhado e molhado, com uma alma no poco de um amor, ou seja na angustia de viver sem ter qualidades que sustentariam um proveito fantasiastico da vida. Minha pele se rusticava e eu sucumbia a zelosa vontade de apenas lacunar mais uma parte do meu dia. Fora isso que eu me conduzia a fazer nos ultimos meses, chegar em casa, abrir a porta enferrujada, afobar-me ao meu quarto e apenas sentar num canto e deixar que a inanicao tome conta de mim. Me ludibriando que apos a tempestade vem o tempo bonito, assim como diz o dito frances: "Apres la Pluie le Beau Temps". Porque tanta letargia entre seres que foram causados para interregnar?!

Como posso eu ser alguem tao intrepido num instante, porem tao frivolo em outro? Um decresce do outro sentimento? Seria um estado de mente tal concebido tao fraco e vulneravel a agentes exteriores? Agentes das minhas conversas, minhas preocupacoes e as minhas agonias sonsas? Debrucava ao ininteligivel, desconsiderava razoes e explicacoes que poderiam me preparar legionamente para que alterasse o que eu chegaria a ser, ou o ar que fosse respirar alguns segundos mais tarde? Eu nao acredito em pretensos. Viver cauteloso seria uma veleidade pueril. Nao sou estatua de moldagem, uma fotografia com velocidade de obturacao perfeita, ou uma pintura de art nouveau. Nao quero simploriamente aparar respostas mas simplesmente interregnar a minha realidade experimental.

Ruborizo com facilidade, por chorar, por autopalrar comigo mesmo por falta de quem ouvir e me saciar. Estou aprumado mas frouxo e moribundo como uma rosa opulenta que nao tarda as suas fraquezas num campo nevasco. Nao consigo mais supinar e me pacificar de modo algum. O sono me traz estrepitos de voces de precaucoes do que podera afincar amanha, ou do medo que me rebraca e me tormenta: simulando com os meus proprios medos do que ha de vir e da tristeza que ha de nascer na minha frente.

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