Wednesday, June 21, 2006

Novos Endereços

Novos Endereços seguem abaixo:

Minha Tristeza: http://www.ethospress.com/vendetta/ (O Vendetta)

Minha Felicidade: http://www.ethospress.com/magenta/ (O Magenta)

Meus Artigos: http://www.ethospress.com (EthosPressOnline)

Monday, January 23, 2006

Relatos de Zalingei (O que acontece no Darfur)

Local: Vilarejo de Zalingei, Darfur
Dia: 13 Dezembro, 2004
Horário: 13:40

Ngumu estava passeando de volta para a sua casa. Ele vinha da recolta de frutas que se encontrava numa floresta não muito longe de Zalingei. O sol estava batendo forte sobre o cabelo crespo do jovem garoto de 9 anos, e de ter que andar com as frutas dentro de uma cesta acima da cabeça já era uma tortura para o estômago vazio do garoto. As moscas que zumbiam ao seu redor causavam os seus olhos a lacrimejarem: ele não podia afastá-las por medo de deixar tudo cair. Ngumu estava se aproximando do vilarejo, seus pés roidos pelas pedras agúdas que se encontravam no seu caminho, as sombras longinques pelas quais ele não podia se esquivar graciosamente: ele estava sózinho.

O menino passou pelo caminho ácima de um morro. Atrás dele a floresta, na frente dele Zalingei no deserto, e o sol. Ele continuou para o centro, o qual ele tinha que atravessar para chegar a sua casa e exclamar a sua mãe que ele tinha colhido a sobremesa dos jantares para a semana toda. Após passar pelo hospital de Zalingei, uma casa feita de caules de palmeiras e suas folhas, 5 por 4 mestros quadrado, ele parou para cumprimentar John Garang, um Doutor Sudanes que já havia lutado para a Armada da Liberação de Sudão. Ngumu cumprimentou Garang e continuou para a sua casa, equilibrando a cesta em sua cabeça. Ao chegar em casa ele deixou a cesta acima da mesa e foi dar um beijo em sua mãe, Zwinliki. Ela beijou o seu filho e agradeçeu pelo trabalho que ele havia feito. Ngumu pediu permissão para a sua mãe o deixar ir ver o Doutor Garang, para conversar sobre métodos de cozinhar no deserto. A mãe fez uma cara forçada de pensativa, mas acabou deixando o filho dela sair com a condição que ele tinha juízo. Ngumu saiu para o encontro com o Dr. Garang.

Ao sair de casa, Ngumu foi de barraca empalhada até outra barraca empalhada para encontrar com o Doutor. Ao chegar no hospital, Garang não se encontrava. Ngumu lançou os olhos ao seu redor, num movimento de 360 graus, para não encontrar o médico: Garang sumiu. Ao virar a cabeça em direção do morro ele encontra 3 cavaleiros esperando, três cavaleiros vestidos de turbantes laranja com objetos brilhantes em suas mãos. Ngumu não compreendia o que eram. Logo, por trás do menino, uma moça começou a gritar "Janjaweed!!!!..... Janjaweed!!!!", segundos depois a cidade inteira se pos em turbulência total. Todos os homens estavam fugindo loucamente, e se direcionavam na direção oposta ao que aparentava ser nômades para Ngumu. O jovem lançou os olhos para o seu lado e viu todas as crianças correndo com os homens, entre elas se encontravam seus melhores amigos. Ngumu moveu seus olhos para os estrangeiros que agora estavam galopeando em sua direção. Ngumu virou, deu as costas para os cavaleiros que estavam se aproximando, e começou a correr o mais rápido que podia. Ele seguiu os seus amigos, passo após passo. Em um instante ele acreditava ver os seus pés correr mais rápido que o acompanhamento do seu corpo. Seu abdômem não estava seguindo - Ngumu estava desesperado por ver a cidade inteira entrar em folia total por causa de três "cavaleiros". Do seu lado, Ngumu via mulheres esperando em suas casas: as mulheres não estavam correndo, porque?! Elas gritava "Janjaweed!", outras choravam, umas ajoelhavam como se fosse o fim do mundo, o fim da vida.

Ngumu correu em direção da sua casa para encontrar a sua mãe, desesperada perguntando para ele o que estava acontecendo. Ao sairem de casa, Zwinliki com seu filho viram as cabanas de Zalingei entrarem em chamas por causa desses perniciosos "Janjaweed". Ngumu olhou para a sua mãe e percebeu que a sua pele corada estava virando pálida e assustadora.

"Ngumu, saia daqui agora." Ela disse calma
"Vamos sair mãe, todo mundo está nessa comoção..." respondeu Ngumu
"Não!! Você corre... siga a floresta, eles são os cavaleiros do deserto Ngumu" Disse a mãe com uma tonalidade mais preocupada.
"Mãe, eu não vou te deixar!" Ngumu respondeu quando as primeiras lágrimas sentimentais corriam a sua face.
"Você tem chance e eu não Ngumu. Eu sou uma mulher e com os Janjaweeds mulher é podre!! Podre!" Respondeu a Zwinkili com uma voz demônica e sobrecarregada de desespero. "Corra!! Saia daqui agora" Gritava a mãe de Ngumu.

Ngumu chorando virou as costas e saiu correndo. Havia fumaça negra pelo vilarejo todo e ele tinha que colocar as mãos na frente do seu nariz e boca para não tossir. Ngumu finalmente saiu de Zalingei e estava correndo em direção da floresta quando percebeu que estava ao lado de corpos de seus amigos: crianças de 9 anos, mortos pelo Janjaweed. Ngumu procurava refúgio numa floresta que estava 250 metros na sua frente quando ouviu cavalos se aproximarem. Ao olhar para traz ele viu uma imagém muito anormal. Apesar dos 7 Janjaweeds que estavam o perseguindo ele viu mulheres sendo usadas pelos homens Janaweeds: mulheres de Zalingei. E ao sobrevoar a cidade que uma vez existiu, a sociedade que uma vez tinha a sua história, ele viu duas Águias negras sobrevoar os céus cinzentos devido as fumaças do fogo causado pelos Janjaweeds. A Águia era mortífera, ela virava a sua cara para cidadões de Zalingei e esses morriam instantâneamente. Ngumu aprendeu que essas Águias se chamam Helicópteros. Ao chegar na floresta Ngumu conseguiu fugir dos caçadores Janjaweed. O jovem menino, traumatizado, perdeu uma identidade, a sua família, e o seu vilarejo Zalingei.

Um ano depois.

Local: Genebra, Suiça
Dia: 10 Dezembro, 2005
Horário: 17:00

Ngumu se apresentou ao UNICEF para agradeçer o seu resgate ha pouco menos de um ano atraz. No dia em que ele apresentou um discurso sobre Darfur a Oganização Internacional das Crianças, ele encontrou com um agente da UNHCR, a Comissão dos Refugiados. Através de programas financiado por cidadões do mundo inteiro, Ngumu ficou sabendo que ele sobreviveu o Genocídio de Darfur. Que os cavaleiros Janjaweeds eram contratados pelo Governo Sudanês, eram militantes muçulmanos matando os Cristões e não religiosos de Darfur. Que o Genocidio é orchestrado principalmente por duas pessoas, o Hassan al-Turabi, e o Omar al-Bashir. Ele também ficou sabendo que Dr. John Garang venceu as eleições como Vice-Presidente, que ele era a única esperança para Darfur, para acabar com o Genocidio e instituir um acordo de paz definitivo no Sudão.



Julho, 2005: John Garang foi assassinado.

Friday, January 20, 2006

O Diagnóstico

Entrei no escritório do psiquiatra e ele me esperava sentado na sua cadeira. Me olhou redundantemente e disse.

Psy: Sente-se por favor.
Eu: Tudo bem. Obrigado senhor psi...

Psy: Como posso lhe ajudar? Vou rapidamente preparar o papel do seu diagnóstico enquanto ouço a sua introdução.
Eu: Certo.. Me chamo Stephan, tenho vinte anos, e acredito que posso estar com a minha mente para lá de onde Judas perdeu a sua...

Psy: Bota! Sei... você perdeu sua cabeça então?
Eu: Não é bem assim Doutor, eu acho que...

Psy: Sem demais delongas e separemos a nossa conversa por "diretas" e não "indiretas", Sr. Stephan.
Eu: Eu entendo... tudo bem.

Psy: Você esta numa praia...
Eu: Numa... o... o que?

Psy: Imagine-se numa praia Stephan!
Eu: Desculpe.. sim.

Psy: Feliz ou infeliz?
Eu: O ambiente esta feliz.

Psy: E o senhor?
Eu: Estou... confuso.

Psy: *anotando* Infeliz.
Eu: Não infeliz doutor.. Estou confuso.

Psy: Faz parte do mesmo genro Sr. Stephan.
Eu: Tudo bem.

Psy: Na rua você se sente bem?
Eu: É um puta Darwinismo Cotidiano Doutor.

Psy: Quer dividir essa idéia comigo?
Eu: Os mais bonitos levantam o nariz, e os feios que se contentam se não..

Psy: Se não?
Eu: Ahhh doutor!! Não tem lugares para esses na sociedade!

Psy: Stephan você esta em marte, calma, respire, explique isso para mim em mais detalhes.
Eu: O meu andar Doutor. Eu ando como um.... um... como um Robô!

Psy: *anotando* Robô.... andar.
Eu: E dai?! O que eu tenho então?

Psy: Calma o... Sr. Stephan. Estou apenas avaliando-o.
Eu: Ok.. calmar-me-ei então.

Psy: Parabens. Você sente mais algum desconforto?
Eu: Hah!! E quantos!

Psy: Qual?
Eu: Eu sinto... insegurança. Sou do sub-trófico na sociedade. O vira-lata procurando lixos pela rua.

Psy: Sei. Como se você não houvesse rumo e estivesse perdido em relação ao futuro.
Eu: Exato. Mas também em relação ao mundo que me rodeia.

Psy: Como...?
Eu: Olhares frios, estoicismo, falta de sipidez - insipidez me apavora.

Psy: Sofreu algum trauma?
Eu: Sim Doutor.

Psy: Qual?
Eu: É pessoal. Tem a ver com o fato que fui rejeitado na escola.

Psy: Poxa... acontece. Eu também fui.
Eu: O louco Doutor. É frustrante olhar nos olhos de um potencial amigo e ver tudo opaco!

Psy: Sim, mas veja bem estou aqui para te ajudar.
Eu: Ok..

Psy: Você toma remédios? Tarja preta?
Eu: O que?! Parece que tomo?

Psy: Não.. apenas perguntando...
Eu: Não.

Psy: Problemas de saúde?
Eu: Vício nos estudos contaria?

Psy: Sim. Estresse e desgaste inconsciente do corpo.
Eu: Bingo! Candomblê!

Psy: O que?
Eu: Não.... err... nada. Coisa do passado.

Psy: Candom... bom, olha Stephan, não quero indicar Cystemia nem Depressão porque o seu problema parece ser muitos estudos.
Eu: Mas para isso eu poderia ter conversado com um amigo meu, se fosse para chegar em tal conclusão.. e..

Psy: Stephan...
Eu: e eu...

Psy: Sr. Stephan.
Eu: Desculpe.. continuemos então a nossa sessão.

Psy: Vou te passar um remédio que o acalmara.
Eu: Mas não me tire os livros por favor. Não quero virar legume.

Psy: Isso é relativo.
Eu: E se relativo for negativo para mim?

Psy: Não seria.
Eu: Entendo.. isso faz parte do seu estudo qualitativo?

Psy: Bem.... sim.. Neurologia e Psicologia Cientifica.
Eu: Ok.

Psy: Ai o diagnóstico.
Eu: Agradeço Doutor.

Psy: Você tem o meu numero, qualquer problema ligue para a minha secretária.
Eu: Ok..

Friday, January 13, 2006

A Música Que Quero Ouvir

*Rádio no fundo do ambiente tocando a música “La vie aux Anges”*
Dizem que a vida é como uma música. Que as batidas dessa canção são os segundos, que as mais rápidas faz o tempo passar mais depressa, e as lentas vice-versa. O que eu desejo da minha última semana no Brasil?! Quero uma música lenta, Ó Senhor louvável. Quero não somente ouvi-la lentamente quanto dançar com essa canção – um boléro lento ou uma música clássica a-la-Les Paul. Quero que as batidas sejam lentas e sintonizadas, não quero me perder nessa sonoridade, nem tão pouco virar a cara e encontrar o fim do som. Quero viver o chorus, quero viver os versos, e quero desfrutar as pontes dessa música, pois nem sempre encontro pontes no meu caminho. Quero atravessar a música são para re-encontrar o meu mundo novamente – dessa vez feliz, dessa vez pronto para encarar o estresse. Não quero passar por essa música sozinho, terei de encontrar uma alma que me contente, uma guria com a qual eu possa ter sonhado um dia. Quero sorrir com ela e sentir que meu ato de felicidade seja um gesto honesto. Quero abraça-la, dizer coisas futeis, futeis mas cotidianas, cotidianas mas inteligentes. Quero ver nos seus olhos e saber que tenho um bilhete garantido a felicidade e liberdad. Nessa canção quero momentos fortes e momentos pianos. Quero mezzo, mezzo, mezzo, FORTE, piano em variações distintas. Momentos e instantes apreensivos, luas cheias, perfumes opulentes e luzes encaminhaveis. Não haveria falha no amplificador pois a música sera continua, e se ela parar, eu farei ela continuar com gotas de lembranças dos bons tempos que já vivi, pois são eles que adicionam os tremulos para as notas diferentes.

Outros solos reconhecem que eu amo o Brasil. Tenho mais uma semana e, no entanto, quero ouvir uma canção que me agrada – sobretudo uma que seja lenta. Quero deixar de sentar e cogitar a possibilidade que eu perdi um irmão gemêo.

Wednesday, January 11, 2006

Pensamento do Walt X I

Várias pessoas quando me conhecem sabem que ha algum problema comigo: que eu não costumo jogar frases fora, que eu vivo preocupado com o estado natural dos seres humanos, que a cada segundo que alguém trai, fofoca, lança olho gordo a uma pessoa morrendo por fome ou genocidio em algum lugar do mundo. Talvez essa preocupação me domina em ocasiões impertinentes: quando estou com amigos, quando estou em algum lugar "sociável", quando tudo que eu deveria fazer seria apenas sorrir: eu não consigo. Alguns que me circundam passam a perceber que a algo de diferente: que os meus anos dourados se foram: e essa seria a explicação mais prominente.

Não é somente a cru ignorância de alguns seres que me entristecem mas a falta de humildade. O que a maioria d'entre nós carescemos é um bom coração - o saber mas não adimitir, o poder mas ser sublime - sempre surge uma oportunidade para impormos ideias, porque não fazer isso com violência? O Walt-de-antes já não existe mais. O que vem agora é o Walt-de-depois, uma transformação por varios meios de produção que me extirpiram e me desnnaturalizaram para ser esse "monstro" que agora sou - o inseguro.

Essa insegurança vive me irritando, me excoriando e me preocupando. Quando estou singelamente caminhando pelas ruas observo as pessoas ao meu redor - essas que me mirabolam. Perceberam que não vivo aqui - estão me rotulando porque devem ter preconceito - pronto! Sucumbo ao desastre e nem meu andar soa bem. Olha o meu passo-a-passo, que ridiculo! Derreto no chão e cesso de existir. Me flagelo nas gotas de chuva que vetorizam para baixo - e eu ali sem matéria, sem segurança ou beleza alguma - meu ego: inexistente.

Saturday, January 07, 2006

Atras das Portas Enferrujadas

Chego a ser comparavel a um Sapo. Eu morfo e nao sou constante. Pouco sei eu de vaidade, e talvez isso seja devido ao fato que resido na lagoa; e para nos nao existem esgotos. O que eu faco me eh devolvido. Eu sou compensado com o que lavro e isso sem duvida me faz perceber que mudancas sao atingiveis e realizaveis. Quando me corto a pata eu perco o perito de nadar. Este Sapo, porem, nao se transforma num principe bonito e agradavel. Apareci de uma carcassa humana, e por um processo dolorido e pouco desagradavel aos espectadores eu mudei minha anatomia. Em certos momentos acarisciamos as Portas Enferrujadas para salvarmos dos nossos problemas.

Risos eu reconheco de longe. Eu continuo caminhando no meu rebulico com precaucao, olhando de lado e temendo as vozes que me eram direcionadas com uma tonalidade maligna. Tentando fugir de uma humilhacao por apenas estar num local virtualmente exposto. Por nao ser igual. Talvez eu tive a ideia em certo ponto da minha vida de querer ser igual, e nao ter falhido por falta de vontade mas pela obscura essencia de ser este avesso na minha sociedade; da inconstancia ao qual eu venho a viver, de perder amigos repetivamente e ter que me apresentar num novo ambiente talvez menos divino quanto ao outro que precedia. A minha inseguranca me era bastante clara e delicada, eu estava neste momento morfando de uma indiferenca para uma preocupacao: de sofrer uma disciminizacao de outros que poderiam nao gostar de como eu aparentava, talvez nao desfiguravam as minhas origens. Do indiferente me vem a reflexao importuna. Levanto os meus olhos adiante e vejo vividamente alguns jovens sussurrando ao meu respeito e gargalhando a minha existencia, agradeco a minha sensibilidade espontanea. Simulo nao ter visto e de repente me encontro com pensamentos irrisorios. Desvelo o meu rosto numa vitrine pouco depois, minha confidencia seguro com maos tremulas. Vejo os meus olhos negros e amarelos. Viro para as ruas frias e imundas e continuo a minha jornada ate em casa. Vontade de correr e ter que largar a minha vida futil e o meu mundo para tras mas os meus pes titubeantes nao permitem. Sinto a fraqueza me converter: ja nao tenho mais cintura. As minhas pernas com o meu torax estao juntamentes interligados por veias mais curtas que antes e ossos mais fragmentados. Sinto dor nas costas e tenho que me agaixar, trilhar selvagimente as ruas da cidade porque a minha forma nao ampara. Os musculos das minhas pernas se fortalecem entre as minhas coxas e sinto dor em andar. Paulatinamente as coisas mais proximas desenhavam-se com menos clareza. As lojas de perto, cujos conteudos eu maldissera com frequencia, ja nao me divisava; e se nao soubesse, sem que isso pudesse deixar lugar as duvidas, que passava em uma rua tranquila embora completamente urbanizada, poderia ter acreditado que a minha visao desvisava-se a um deserto no qual se fundiam indistintamente o ceu e a terra cinzentos por igual. Nao haviam mais discernos.

Estava eu perdendo a minha visao ou era isso efeito do meu daltonismo que de repente intensificou-se impetuosamente? Fiquei parado, arfante e nervoso. Meu coracao agitava proliferamente, nao havia controle nem maneiras para apaziguar o estado em que me encontrava. Fiquei por consequencia entalado, impossibilitado em absoluto de fazer por mim mesmo o menor movimento. Me encontrei a ponto de me asfixiar; e ate quando o frio era intenso permanecia ali um instante respirando com forca. Os que passavam ao meu redor se enojavam ou gritavam de pavor. Eu estava doente que queria apenas um auxilio para que eu pudesse ser escoado a algum hospital o mais rapido possivel. Assim transcorreram alguns instantes e eu ja me sentia exonerado. Tudo em redor silenciava, o que era talvez um bom sinal. Nao havia mais ninguem visivel nas ruas e estava solito novamente, ouvindo as batidas do meu coracao esbaforido. Ao alcancar para frente dei um salto, ao qual substituira os meus passos. Eu agia com pouco medo, por determinacao de humidar a minha pele que estava seca e requeria agua. Era a minha meta. Tive que me encontrar debaixo da lua cheia que brilhava intensivamente. Fiquei imovel, sucinto e inalterado. Apenas respirando. Pouco importava-me se ouvia o som da minha urna se apxorimando. Seria como apanhar um taxi, porem haveria uma afinidade diferente, nao voltaria a ser o que eu ja era.

Algumas Letras da Ásia

Um bangalo com muros em fragmentos de bamboo. Estava muito quente e o sol estava se escondendo neste crepusculo violeta e opulente. Era verao e a biboca, tal como aparentava, estava tranquila mancando qualquer tipo de estrepito. Havia uma brisa serena que assoprava nas entrecaidas palmas que marcavam o final do telhado da casa e o inicio do muro. Sonorava-se como chocalhos de uma religiao paga, a luminosidade dentro da casa era outro indicante do misticismo que ali pululava. O bangalo era cercado por mato e arvores tropicais, era afastado do vilarejo e somente se accessava ao local por qualquer meio fora pernambulante.

Supinava Suyang em sua cama. Num quarto com muros entalhados por tijolos sucessiveis. Atras dos tijolos estavam os caules dos bamboos, ao qual formavam a parte exterior do esboco da casa. Suyang era de classe media, e sendo um bom Indonesio, ele cultivava as suas terras para comprometer-se ao governo. Ele estava no inicio de seus quarenta, havia uma pele jovem e desrugada e era reconhecido como um exemplo para outros civis da vicinidade. Ele estava com a sua mao punhada e embutida na palma da sua mulher. Ele mal sabia os seus atos por falta de sanidade e consciencia. Ele suava frio e tremia, se fadigava ao pensar que havia uma forca o estremecendo, mas mal podia falar por ansiedade e desconforto. Ouviu-se um barulho de motor se aproximando na distancia. Era o medico que vinha o examinar e tratar de Suyang que nao havia se cuidado durante a sua labuta recentimente transgressivel. A sua mulher, ao qual gotas salinas percorriam sua face rosa e jovem, beijou o punho de seu marido que pelo ato fez um esforco desesperante para direcionar seus olhos a sua mulher, tremendo no processo. Ela sorriu impaciente e despondente, arredou-se ardilmente e se direcionou a porta principal; a qual flapejava com a brisa e adicionava a cacofonia da sonoridade natural do ambiente. As lampadas que estavam no quarto dancavam com o vento, Suyang teve que esperar para que sua mulher voltasse com uma resposta decisiva. Ouviu ele sussurros vindo de tras da porta, o medico havia chegado e seu diagnostico estava sendo cedido ao profissional que acabara de chegar.

Suyang havia sido infectado por um inseto, foi um Anofeles que lhe passou uma doenca intrusiva, ele havia adquirido Malaria ha algumas semanas previa aos seus sintomas. Ele, deitado na sua cama confortavel, trancava o seu olhar ao teto. A dor que o impelia era tamanha e insuportavel em alguns instantes que nada mais podia fazer mas rosnar, como se estivera em algum tipo de transe. A febre havia asonsoado Suyang, ja lhe ocorreu varias vezes halucinacoes pela temperatura que vinha atingindo quase quarenta. O suor havia molhado toda a sua roupa, e a sua sordidez estava progressivamente aquilindo. Ele estava tao entorpecido que nao podia se mexer, seu sofrimento era exasperante.

Logo apos alguns murmuros que vinha de fora, entra a mulher dele com o medico. Um homem baixo e largo com um bigode curto. Eles se encaminharam para as aproximidades de Suyang. A sua mulher lhe entregou a mao do lado esquerdo do enfermo, que se entrelacaram novamente com o que aparentava ser um alivio ao paciente. O medico conversou com a mulher, eram palavras irrecognitivas para o paciente que sofria de febre alta e desnaturalizacao dos seus sensos. Ele retirou uma injecao e se aproximou de Suyang. Resmungou vociferosamente reconditos ao paciente e penetrou a agulha no seu braco direito. Havia uma pressao que condicionou um leve salto do paciente enquanto que seus olhos fechavam com afinco. Apos a aplicacao o paciente passou a descansar, sua ultima visao era ver o medico que lhe falava palavras sem sentido, Suyang nao quis entender, apenas se lepidou com a salvacao que se aproximava dele. Dormir era o seu subterfugio, e pensava ele que ao aprumar-se ele estaria saudavel novamente. Fechou os olhos e esperou o momento de acordar.

Tuesday, November 15, 2005

Tenho mais Duas Decadas - Para que Sonhar?

Hoje o medico me olhou com um cinismo absoluto e me disse: “voce tem mais 20 anos de vida decido a sua saude.” Primeiramente, devo impor que eu nao reconhecia que eu havia tal problema de saude antes na minha vida. “A doenca” estava claramente ali desde infancia, mas nunca soube que ela me daria uma vida tao curta; uma a qual eu nao chegaria a ver meus possiveis filhos crescerem e estudarem numa faculdade, uma vida que nao me permitiria de viver uma bodas, sem poder chegar aos meus 40 anos de idade. “A sua doenca somente piorou desde 2003. Precisamos examinar o seu sangue para vermos em qual fase voce se encontra”. Naquele momento senti-me assustado, como se uma nuvem negra teria ocupado a minha visao. Eu nao tinha ido ao medico para inquerir sobre “a doenca”, mas para ver o que ocorria no meu olho que sofria conjuntivite ja faz um mes. O medico era uma personalidade rara, que queria decepcionar as pessoas repetitivamente, mas dessa vez nao foi por total o cinismo que o acompanhou nas palavras: havia realidade. Minha mae me olhou, assustada, e disse que estavam para chegar resultados sobre “a doenca” do Brasil. No diagnostico Ararense, tudo estava sobre o controle, dentro dos limites favoraveis a uma vida longa. Meus genes me assustaram mais uma vez, uma doenca que pegou meus genes Possessivos com afinco total. Passou algumas horas e aprendi a aceitar, hao pessoas que tem 3 anos pela frente; outros com apenas um. O desespero de ganharmos consciencia de uma vida curta que nos espera pela frente e tamanho, enorme como os pilares de um estado inextricavel. Porem, imagine um ser com algum ultimatum de 3 meses? O que gostaria ele de fazer em tres meses que lhe confortaria do pensamento da morte? Recentimente, um ser humano foi naturalmente curado de AIDS, tendo sido rotulado como paciente em fase terminal “Eis o homem mais sortudo do mundo: curado pela AIDS. Vendendo o Sunday Herald de hoje: 3 libras e quarenta!”... os vendedores de jornais lucraram nesse dia – nao e a toa – AIDS mata mais de ½ de todas as mulheres na Africa Occidental, todos querem uma cura, mas ela nao se encontra por razao de precos excessivamente altos. O escoces que se aut-curou foi realmente sortudo. Meu tio, quando ele esperava pelo fim dele na cama do hospital, vivia com olhos cheios de medo e lagrimas secas. Tememos a morte quando sabemos que ela esta para vir nos buscar – eu tambem temo. Nao quero mais “A Doenca”. Gostaria de arranca-na dos meus genes frivolos. Eu morreria sem encontrar meu grande amor? Nao serviria jamais como o “principe” de alguem nessa vida ou sequer teria a oportunidade de conseguir os meus objetivos nessa vida. Escrevo pensamentos de certos incidentes que ocorreram hoje.