Friday, January 21, 2005

Intrinseco aos Arames que me Prendia

Era quase uma ferida aberta, um vazamento externo que se conspicuava aos espectadores. Foi-se aproximando manhosamente o dia de partida com um estoicismo tão tradicional quanto uma leve brisa do mar. Uma embriaguez inefável vinha cuidar o meu inconsciente, desturpação pelas areias que caíam inexoravelmente no relógio. Não era somente o perfume radiante que me deglutía, mas o brilho do cabelo negro, do sorriso irridescente de sempre, e dos olhos ao qual com o brilho da própria lua propagava um universo inteiro, a ser descuberto a cada día. Eu estava na fila do controle de passaporte, com uma reluctância abundante do qual um cheiro pungente me entemecía pela frente. A tendência era recuar, mas arredar para me tomar numa teia de confusões? Já não pensava mais em mim, adotava outros cuidados e preceitos para não a magoar; não por consolações e estipulias, porém com uma escorregada no abismo da realidade. Cada um com sua vida, ela é um caminho a ser percorrido, e a nossa prova foi uma de precaução a distração sentimentais. A superintendente me chamou e a apresentei o meu passaporte estremeçendo. Escrito estava na mesa umas palavras quais eu nunca me esquecerei, palavras que me incapacitaram qualquer frase a sair da minha boca pela certeza de me enroucar tristonhamente: Republica Federativa do Brasil. Novamente partía eu para satisfazer a minha vida, atado pelo coração ávido pelo amor. Cambaleei-me para a fiscalização das bagagens. Ao passar exoneravelmente fiquei olhando para a tela do controle de raio-x. Inquieto pela minha saída, de deixar o meu país. Num instante juro ter visto um revolver na mala do passageiro que me procederia. Limpei meus pensamentos e esporadicamente fui me vindicando, criando uma mente decidida de não voltar ou sequer espreitar para os azuleijos e telhas que atrás de mim estavam. Fui me encontrar atrás de uma fila, com uma alergía da areia que vinha descendo ao tempo se esgotar. Olhei para frente e encontrei uma tela avessa e obliqua, que me chamara a atenção e me pos a prantar. Eu perdi meu Brasil, nao sentía mais os grãos de areias cairem. Arfantava progressivamente até me encontrar com falta de ar, intrépido e independente dos outros que me visavam por tal ímpeto que eu vinha a causar. A fila foi se movendo adiante, e eu fui deixando a minha terra.

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