Wednesday, January 26, 2005

Cortando Psicológico feito Papel (Parte II)

Por isso que existem Platoes, Spinozas, e Nietzsche entao. Tudo por causa do pessimismo causado pelas palavras asperas que causam descontentamento? Correto. O que seria uma armadura para nos? Existem varias clausas, respostas para este problema. Sabemos que existe uma certa forma de necessidade de poder entao no sistema, na pura “sociologia” de seres humanos. Os seus amigos e familias podem dizer “Ignora, nao merece atencao!”, mas isso nao revela uma imagem positiva, pois voce quer fazer parte do jogo do oponente, quer entrar nessa de ter poder e razao. Artur Schopenhauer poderia dizer, ao contrario, “Entre no assunto geral, se o oponente dizer “a maca eh verde”, voce responde “a maca eh verde porque os pigmentos proteicos da maca, amparados pelo pH favoravel das bacterias de fixacoes, a fazem ser desse jeito””. Ou entao, uma alternativa seria deixar o “gladiador de poder” nervoso, pois quando estamos nervosos falamos coisas sem raciocinio, caimos em contradicao, e temos um no. Palavras podem parecer fortes em certas ocasioes, so que na maioria das vezes sao fracas.

Se existe um desentendimento com outra pessoa eh geralmente porque ha desinteresse de uma das duas pessoas no contexto geral. Se houvesse grande entendimento e interesse interno nao haveria desentendimento no primeiro lugar. Letargia certamente se mostra em certa parte do dialogo, eh inegavel, e letargia causa brigas e desentendimento. Nao digo que se voce estiver tepido em relacao a uma pessoa, nao converse com ela, apenas cito um dos maiores problemas da dialetica moderna. O silencio pode magoar tambem, e necessario uma certa dexteridade com as palavras, saber manejar o que sai da boca, ou entao, dos dedos ao escrever uma carta ou teclar num computador.

Podemos iterar tambem o fato em que existem personalidades diferentes, e que certas conversas nao sao frequentes para uma pessoa quanto seria para outra. Devemos tomar cuidado com “palavras de interesse”, como eu chamarei este grupo de palavras, pois isso tambem pode afastar uma pessoa ou causar desentendimento e brigas constantes. E se estivermos numa situacao incomoda, pensemos se nao esteve nas nossas maos o evita-la?! Na maioria das vezes fomos nos que pedimos sofrer por algo que nao queremos, mas sair dessa situacao pode parecer bastante dificil, quando a porta esta apenas na nossa frente. Antropomorfismo eh o que necessitamos nessa vida e nos nossos lares, nao o individualismo.

Cortando Psicológico feito Papel (Parte I)

Tantas palavras que sao singelas e podem tornar-se obscuras, no meio de frases de insolencia, deprezo, ou desafeto. Passado aparentimente inexoravel ameacado por um presente despulpado, falta de sabor ou conteudo pertinente em tais conversas tao frouxas e frivolas. A forca de uma so palavra pode causar uma guerra, romper um casamento, ser condenado como ato de racismo, ser motivo para magoa eterna. A frase “Eu tenho algo para te dizer…” nos tras medo, ela incita um problema no dialogo humano, algo negativo ha de seguir. Muito quanto pelo contrario, “Queria tanto te encontrar, tenho algo para te dizer…” ja significa o oposto, algo bemvindo, calmo, ou positivo tera de seguir. Palavras sao como tijolos, ou entao, como anteriormente explicado, como bombas. “.. nos vamos reconquistar um triunfo inevitavel..” (Franklin D. Roosevelt), acreditem se quiser.. essas seis palavras foram a declaracao de Guerra entre os EUA e o Japao em 1941. “Eu tive um sonho…” eram palavras ditas por Karl Marx, e Martin Luther King, por exemplo, que conseguiram revolucionar certas teorias do nosso planeta. No final, somos forcados ou empurrados para questionar o poder das palavras. Elas sao geralmente acompanhadas por sentimentos, porque se nao houvesse sentimentos estariamos embriagados ou entao passivos em acoes, porque tanto ojerizo entao?

Existe uma teoria filosofica no curso de politica que foi inventado para tentar descrever o porque que certas coisas acontecem em relacionamentos humanos. Se chama o Realismo. Primeiro inventado por Thucydides, o Grego que deu amparo a Guerra Peloponesia (entre Troianos e Gregos), o Realismo constata que existe uma vontade imensa de poder de individuos, e que eles querem exercer sobre as outras pessoas. Correto, feito pelo uso de palavras. Singelas palavras frescas. Realismo tambem acredita no fato em que nao ha necessidade para leis, justica ou nacoes para tentar acalmar um pais, que tudo estaria condenado ao caos de todo jeito. Os Gregos mantiveram-se radicais em pensamentos, entrando em conflitos para guardar seguranca, que no ser humano tambem se aplicara. Tentem entrarem-se em contraste com uma nacao, e vereis que todas as teorias podem ser aplicadas ao contexto do cotidiano.

Artigo para o Democrata

O que sería uma sociedade? Sociedade, pelas próprias palavras de Jean-Jaques Rousseau, é definida como um sistema em que é hierarquizada, com um líder (liderum) no topo deste último, e o restante, semi ou inteiramente súditos, que obedecem as ordens do seu ordenador patente.

Reinvidicando o assunto acima tratado, o que sería uma sociedade através de um povo mais antigo, peguemos os Gregos como exemplo primário a este assunto. Ela era uma coisa divina, uma filosofía de fraternidade, igualdade, liberdade, e acima de tudo conjuntabilidade. Nasce, através de Clístenes (filosofo Grego que seguía a fílosofia da sociedade perfeita, governada atraves do deus do tempo, Cronos). Tanto como os Renascentistas iluminaram a cultura moderna, Clístenes inflacionou a Democracía, a esboçou para ser o que ela é hoje.

Qual sería a diferença primária entre os da Direita e os da Esquerda?
Uma sociedade, ou melhor, política direitista é quando encontramos um exemplo neo-nacionalista, para simplificarmos o termo. Escolhendo a família como modelo de uma sociedade simples, uma sociedade Direitista sería quando um pai católico não deixa o seu filho namorar uma muçulmana, quando a sociedade fica vinculada as idéias do orgulho nacional (religioso no caso), e uma sociedade esquerdista sería quando este mesmo pai convida amigos que tem o mesmo interesse que o filho possui, não o deixando ter a oportunidade de escolher.

O modernismo, em termos políticos, é quando um governo da esquerda acaba aceitando membros da direita em seu parliamento, ou sua câmara. Isto sucumbe a maior diversidade política. Não existe mais um mundo dividido pela tão chamada "Cortina de Ferro", como denominada por Churchill, mas sim, abrem se as portas para um PT diferenciado, um Lula aceitando o PSDB aos poucos no pálacio da Alvorada e no congresso, e a asfixiação do bloco comunista. O mundo esta transformando se políticamente, o que existirá no futuro ira impressionar as gerações de hoje.

Saturday, January 22, 2005

Tranquilidade dos Seres Espantalhados

Passara eu a mirabolar casticais embotidos, armarios enpinherados; em uma casa desbotida pela neve. Havia branco, assevero-eu, mas a paz estava distanciada e deslacerada de mim. O vento la fora apitava com desbruco ao macabre. No enredo se encontravam quadros de ancestrais, talvez tao funebres que desvelavam uma presencia constrangente na casa. A lareira estava viva e tremula. Como um caleidoscopio persico, texturizava a sala. Assim como a irridescencia de uma pedra preciosa, ou os desenhos lucidos criados pela reflecao de raios nas ondas do mar. Meus pes tornaram-se insensiveis. Havia um alto teor de frio perceptivel, que nele agredia-me calafrios autonomos. Tive de me aproximar do fogo para me sentir melhor e desimplacavel. Ja me fizera falta a minha casa. Estava desempertigado, titubeando por ser um viajante porem carescer as minhas patas fugazes. Aonde encontrava Araras sobrevoando o firmamento, ou bem-te-vi´s cantando harmoniosamente vinha eu a ouvir o silencio da neve e passaros ausentes pela emigracao. Por ansiedade voltei a centilar durante a noite. Nao ha naturalidade ou providencia que ampare aquele garotinho que se despede de seus demais amigos para se auto-ostracizar longiquamente e depois voltar, apos o horario permitir, com lagrimas perenes e proferir saudades acumuladas. Existem os que sao excluidos, nao os que se excluem introduzindo a serenidade e o silencio do Atlantico. Quem me dera ser um Titao, pular sobre Gilbraltar, depois chegar ao Cabo Verde antes de chegar a minha destinacao desejada. Nao esta na epoca. Na Europa eh inverno, e nao chegou a hora das flores se ostentarem com seus perfumes maliciosos e das plantacoes serem recadadas. Os vegetais se adormescem ou sao inexistentes agora, os animais ja se foram para eu poder acompanha-los ubiquitoso, alguns dentre eles marmotam, mas eu permaneco. Infelizmente nao eh a minha hora. Brotava-se o medo intenso de perder tudo: a minha vida. Era ardil conter uma segunda. Entao dependia daquilo que me aguardava e carescia esta felicidade por 8 meses do meu ano. Sentia-eu as pulsoasoes tristonhas do meu coracao, estavam tao audiveis e veementes que chegara a me frenetizar em certos momentos. Conseguia esquentar o meu corpo. Na lareira ja nao havia mais fogo.

"Cilhos agitados e perenamente mergulhados.
A imundice caiu como um veu
De sorrisos efemeros se pereceu.
A tranquilidade dos seres espantalhados."

Friday, January 21, 2005

Intrinseco aos Arames que me Prendia

Era quase uma ferida aberta, um vazamento externo que se conspicuava aos espectadores. Foi-se aproximando manhosamente o dia de partida com um estoicismo tão tradicional quanto uma leve brisa do mar. Uma embriaguez inefável vinha cuidar o meu inconsciente, desturpação pelas areias que caíam inexoravelmente no relógio. Não era somente o perfume radiante que me deglutía, mas o brilho do cabelo negro, do sorriso irridescente de sempre, e dos olhos ao qual com o brilho da própria lua propagava um universo inteiro, a ser descuberto a cada día. Eu estava na fila do controle de passaporte, com uma reluctância abundante do qual um cheiro pungente me entemecía pela frente. A tendência era recuar, mas arredar para me tomar numa teia de confusões? Já não pensava mais em mim, adotava outros cuidados e preceitos para não a magoar; não por consolações e estipulias, porém com uma escorregada no abismo da realidade. Cada um com sua vida, ela é um caminho a ser percorrido, e a nossa prova foi uma de precaução a distração sentimentais. A superintendente me chamou e a apresentei o meu passaporte estremeçendo. Escrito estava na mesa umas palavras quais eu nunca me esquecerei, palavras que me incapacitaram qualquer frase a sair da minha boca pela certeza de me enroucar tristonhamente: Republica Federativa do Brasil. Novamente partía eu para satisfazer a minha vida, atado pelo coração ávido pelo amor. Cambaleei-me para a fiscalização das bagagens. Ao passar exoneravelmente fiquei olhando para a tela do controle de raio-x. Inquieto pela minha saída, de deixar o meu país. Num instante juro ter visto um revolver na mala do passageiro que me procederia. Limpei meus pensamentos e esporadicamente fui me vindicando, criando uma mente decidida de não voltar ou sequer espreitar para os azuleijos e telhas que atrás de mim estavam. Fui me encontrar atrás de uma fila, com uma alergía da areia que vinha descendo ao tempo se esgotar. Olhei para frente e encontrei uma tela avessa e obliqua, que me chamara a atenção e me pos a prantar. Eu perdi meu Brasil, nao sentía mais os grãos de areias cairem. Arfantava progressivamente até me encontrar com falta de ar, intrépido e independente dos outros que me visavam por tal ímpeto que eu vinha a causar. A fila foi se movendo adiante, e eu fui deixando a minha terra.

Tuesday, January 18, 2005

Algumas Letras da Asia

Um bangalo com muros em fragmentos de bamboo. Estava muito quente e o sol estava se escondendo neste crepusculo violeta e opulente. Era verao e a biboca, tal como aparentava, estava tranquila mancando qualquer tipo de estrepito. Havia uma brisa serena que assoprava nas entrecaidas palmas que marcavam o final do telhado da casa e o inicio do muro. Sonorava-se como chocalhos de uma religiao paga, a luminosidade dentro da casa era outro indicante do misticismo que ali pululava. O bangalo era cercado por mato e arvores tropicais, era afastado do vilarejo e somente se accessava ao local por qualquer meio fora pernambulante.

Supinava Suyang em sua cama. Num quarto com muros entalhados por tijolos sucessiveis. Atras dos tijolos estavam os caules dos bamboos, ao qual formavam a parte exterior do esboco da casa. Suyang era de classe media, e sendo um bom Indonesio, ele cultivava as suas terras para comprometer-se ao governo. Ele estava no inicio de seus quarenta, havia uma pele jovem e desrugada e era reconhecido como um exemplo para outros civis da vicinidade. Ele estava com a sua mao punhada e embutida na palma da sua mulher. Ele mal sabia os seus atos por falta de sanidade e consciencia. Ele suava frio e tremia, se fadigava ao pensar que havia uma forca o estremecendo, mas mal podia falar por ansiedade e desconforto. Ouviu-se um barulho de motor se aproximando na distancia. Era o medico que vinha o examinar e tratar de Suyang que nao havia se cuidado durante a sua labuta recentimente transgressivel. A sua mulher, ao qual gotas salinas percorriam sua face rosa e jovem, beijou o punho de seu marido que pelo ato fez um esforco desesperante para direcionar seus olhos a sua mulher, tremendo no processo. Ela sorriu impaciente e despondente, arredou-se ardilmente e se direcionou a porta principal; a qual flapejava com a brisa e adicionava a cacofonia da sonoridade natural do ambiente. As lampadas que estavam no quarto dancavam com o vento, Suyang teve que esperar para que sua mulher voltasse com uma resposta decisiva. Ouviu ele sussurros vindo de tras da porta, o medico havia chegado e seu diagnostico estava sendo cedido ao profissional que acabara de chegar.

Suyang havia sido infectado por um inseto, foi um Anofeles que lhe passou uma doenca intrusiva, ele havia adquirido Malaria ha algumas semanas previa aos seus sintomas. Ele, deitado na sua cama confortavel, trancava o seu olhar ao teto. A dor que o impelia era tamanha e insuportavel em alguns instantes que nada mais podia fazer mas rosnar, como se estivera em algum tipo de transe. A febre havia asonsoado Suyang, ja lhe ocorreu varias vezes halucinacoes pela temperatura que vinha atingindo quase quarenta. O suor havia molhado toda a sua roupa, e a sua sordidez estava progressivamente aquilindo. Ele estava tao entorpecido que nao podia se mexer, seu sofrimento era exasperante.

Logo apos alguns murmuros que vinha de fora, entra a mulher dele com o medico. Um homem baixo e largo com um bigode curto. Eles se encaminharam para as aproximidades de Suyang. A sua mulher lhe entregou a mao do lado esquerdo do enfermo, que se entrelacaram novamente com o que aparentava ser um alivio ao paciente. O medico conversou com a mulher, eram palavras irrecognitivas para o paciente que sofria de febre alta e desnaturalizacao dos seus sensos. Ele retirou uma injecao e se aproximou de Suyang. Resmungou vociferosamente reconditos ao paciente e penetrou a agulha no seu braco direito. Havia uma pressao que condicionou um leve salto do paciente enquanto que seus olhos fechavam com afinco. Apos a aplicacao o paciente passou a descansar, sua ultima visao era ver o medico que lhe falava palavras sem sentido, Suyang nao quis entender, apenas se lepidou com a salvacao que se aproximava dele. Dormir era o seu subterfugio, e pensava ele que ao aprumar-se ele estaria saudavel novamente. Fechou os olhos e esperou o momento de acordar.

Monday, January 17, 2005

Atras das Portas Enferrujadas (Parte II)

Chego a ser comparavel a um Sapo. Eu morfo e nao sou constante. Pouco sei eu de vaidade, e talvez isso seja devido ao fato que resido na lagoa; e para nos nao existem esgotos. O que eu faco me eh devolvido. Eu sou compensado com o que lavro e isso sem duvida me faz perceber que mudancas sao atingiveis e realizaveis. Quando me corto a pata eu perco o perito de nadar. Este Sapo, porem, nao se transforma num principe bonito e agradavel. Apareci de uma carcassa humana, e por um processo dolorido e pouco desagradavel aos espectadores eu mudei minha anatomia. Em certos momentos acarisciamos as Portas Enferrujadas para salvarmos dos nossos problemas.

Risos eu reconheco de longe. Eu continuo caminhando no meu rebulico com precaucao, olhando de lado e temendo as vozes que me eram direcionadas com uma tonalidade maligna. Tentando fugir de uma humilhacao por apenas estar num local virtualmente exposto. Por nao ser igual. Talvez eu tive a ideia em certo ponto da minha vida de querer ser igual, e nao ter falhido por falta de vontade mas pela obscura essencia de ser este avesso na minha sociedade; da inconstancia ao qual eu venho a viver, de perder amigos repetivamente e ter que me apresentar num novo ambiente talvez menos divino quanto ao outro que precedia. A minha inseguranca me era bastante clara e delicada, eu estava neste momento morfando de uma indiferenca para uma preocupacao: de sofrer uma disciminizacao de outros que poderiam nao gostar de como eu aparentava, talvez nao desfiguravam as minhas origens. Do indiferente me vem a reflexao importuna. Levanto os meus olhos adiante e vejo vividamente alguns jovens sussurrando ao meu respeito e gargalhando a minha existencia, agradeco a minha sensibilidade espontanea. Simulo nao ter visto e de repente me encontro com pensamentos irrisorios. Desvelo o meu rosto numa vitrine pouco depois, minha confidencia seguro com maos tremulas. Vejo os meus olhos negros e amarelos. Viro para as ruas frias e imundas e continuo a minha jornada ate em casa. Vontade de correr e ter que largar a minha vida futil e o meu mundo para tras mas os meus pes titubeantes nao permitem. Sinto a fraqueza me converter: ja nao tenho mais cintura. As minhas pernas com o meu torax estao juntamentes interligados por veias mais curtas que antes e ossos mais fragmentados. Sinto dor nas costas e tenho que me agaixar, trilhar selvagimente as ruas da cidade porque a minha forma nao ampara. Os musculos das minhas pernas se fortalecem entre as minhas coxas e sinto dor em andar. Paulatinamente as coisas mais proximas desenhavam-se com menos clareza. As lojas de perto, cujos conteudos eu maldissera com frequencia, ja nao me divisava; e se nao soubesse, sem que isso pudesse deixar lugar as duvidas, que passava em uma rua tranquila embora completamente urbanizada, poderia ter acreditado que a minha visao desvisava-se a um deserto no qual se fundiam indistintamente o ceu e a terra cinzentos por igual. Nao haviam mais discernos.

Estava eu perdendo a minha visao ou era isso efeito do meu daltonismo que de repente intensificou-se impetuosamente? Fiquei parado, arfante e nervoso. Meu coracao agitava proliferamente, nao havia controle nem maneiras para apaziguar o estado em que me encontrava. Fiquei por consequencia entalado, impossibilitado em absoluto de fazer por mim mesmo o menor movimento. Me encontrei a ponto de me asfixiar; e ate quando o frio era intenso permanecia ali um instante respirando com forca. Os que passavam ao meu redor se enojavam ou gritavam de pavor. Eu estava doente que queria apenas um auxilio para que eu pudesse ser escoado a algum hospital o mais rapido possivel. Assim transcorreram alguns instantes e eu ja me sentia exonerado. Tudo em redor silenciava, o que era talvez um bom sinal. Nao havia mais ninguem visivel nas ruas e estava solito novamente, ouvindo as batidas do meu coracao esbaforido. Ao alcancar para frente dei um salto, ao qual substituira os meus passos. Eu agia com pouco medo, por determinacao de humidar a minha pele que estava seca e requeria agua. Era a minha meta. Tive que me encontrar debaixo da lua cheia que brilhava intensivamente. Fiquei imovel, sucinto e inalterado. Apenas respirando. Pouco importava-me se ouvia o som da minha urna se apxorimando. Seria como apanhar um taxi, porem haveria uma afinidade diferente, nao voltaria a ser o que eu ja era.

Atras das Portas Enferrujadas (Parte I)

Crio imagens de mim, assim, como uma projecao vislumbre. Onde foram se ofuscar os raios que projetam o meu ser. Tantas diferencas ou secretos de anonimos desprovidos de uma originalidade. A projecao me propoe imagens lepidas, e eu ali tentando me encontrar com um sorriso adiante de companhias que abafariam uma tacivel realidade. Estou bebendo. Alcool, afinal, eh conceituado na sociedade como uma bebida social. A embriaguez me altera de tal fato que resisto e domino as minhas tristezas. Eh na tristeza que encontro o meu prazer de certa forma, pois nela reconheco a ponte para outros estados de mentes. Menos praticados porem mais teoricos teologicamente. Racionalmente autocombusto o meu corpo com venenos que derreteriam mentes escabulosas, me vestiria de uniforme ubiquito. Na imagem eu procuro cantos, procuro estrelas para me responderem frases sabias e sucintas. Nela perco a uniao social e me encontro sozinho, tentando me comunicar com planetas ou bolas de fogo. As estrelas sao solitarias, a unica magia nelas eh a linguagem que nela se esconde. Ao procurar este alfabeto vejo o passado se desvelar sobre mim. Os meus problemas retornam e vao ganhando densidade nas minhas preocupacoes. Como um cancer, o que passou vem me preocupando e me menosprezando ate eu escorregar e cair de cabeca, ou entao ate eu sucumbir ao meu negativismo e me declarar rei das tristrezas que me circundam. Se, nenhuma razao do presente eu lacrimejo, por falta de forca, amparo ao sorriso que podera vir tao de repente e por uma simples analise interior. Eh um momento em que tudo parece faltar sentido, muito mais a minha existencia que eh o essencial de qualquer acao ou suspiro que ja dei na minha vida inteira. O momento eh curto, mas suficiente para meu rosto se entorpecer grotescamente de tal pavor que a expressao seja reconhecida universalmente.

Mudo para outro tempo, que essa projecao vem a me mostrar outra situacao. Menos propicia. Eu, encolhido no canto de um quarto que manca luminosidade, apenas alguns brilhos perfuravam as minhas retinas umidas de agua salgada. Era eu no desespero, eu mancava o sorriso da primeira projecao que fui assistir. Ja nao temia guardar meus sentimentos e os largava com maos abertas e afinco determinado. Afogava-me no meu pudor sentimental, agarrava com forca indescritivel os lencois da cama que estava do meu lado. Abria eu os olhos paulatinamente para me encontrar envermelhado e molhado, com uma alma no poco de um amor, ou seja na angustia de viver sem ter qualidades que sustentariam um proveito fantasiastico da vida. Minha pele se rusticava e eu sucumbia a zelosa vontade de apenas lacunar mais uma parte do meu dia. Fora isso que eu me conduzia a fazer nos ultimos meses, chegar em casa, abrir a porta enferrujada, afobar-me ao meu quarto e apenas sentar num canto e deixar que a inanicao tome conta de mim. Me ludibriando que apos a tempestade vem o tempo bonito, assim como diz o dito frances: "Apres la Pluie le Beau Temps". Porque tanta letargia entre seres que foram causados para interregnar?!

Como posso eu ser alguem tao intrepido num instante, porem tao frivolo em outro? Um decresce do outro sentimento? Seria um estado de mente tal concebido tao fraco e vulneravel a agentes exteriores? Agentes das minhas conversas, minhas preocupacoes e as minhas agonias sonsas? Debrucava ao ininteligivel, desconsiderava razoes e explicacoes que poderiam me preparar legionamente para que alterasse o que eu chegaria a ser, ou o ar que fosse respirar alguns segundos mais tarde? Eu nao acredito em pretensos. Viver cauteloso seria uma veleidade pueril. Nao sou estatua de moldagem, uma fotografia com velocidade de obturacao perfeita, ou uma pintura de art nouveau. Nao quero simploriamente aparar respostas mas simplesmente interregnar a minha realidade experimental.

Ruborizo com facilidade, por chorar, por autopalrar comigo mesmo por falta de quem ouvir e me saciar. Estou aprumado mas frouxo e moribundo como uma rosa opulenta que nao tarda as suas fraquezas num campo nevasco. Nao consigo mais supinar e me pacificar de modo algum. O sono me traz estrepitos de voces de precaucoes do que podera afincar amanha, ou do medo que me rebraca e me tormenta: simulando com os meus proprios medos do que ha de vir e da tristeza que ha de nascer na minha frente.