Saturday, January 22, 2005

Tranquilidade dos Seres Espantalhados

Passara eu a mirabolar casticais embotidos, armarios enpinherados; em uma casa desbotida pela neve. Havia branco, assevero-eu, mas a paz estava distanciada e deslacerada de mim. O vento la fora apitava com desbruco ao macabre. No enredo se encontravam quadros de ancestrais, talvez tao funebres que desvelavam uma presencia constrangente na casa. A lareira estava viva e tremula. Como um caleidoscopio persico, texturizava a sala. Assim como a irridescencia de uma pedra preciosa, ou os desenhos lucidos criados pela reflecao de raios nas ondas do mar. Meus pes tornaram-se insensiveis. Havia um alto teor de frio perceptivel, que nele agredia-me calafrios autonomos. Tive de me aproximar do fogo para me sentir melhor e desimplacavel. Ja me fizera falta a minha casa. Estava desempertigado, titubeando por ser um viajante porem carescer as minhas patas fugazes. Aonde encontrava Araras sobrevoando o firmamento, ou bem-te-vi´s cantando harmoniosamente vinha eu a ouvir o silencio da neve e passaros ausentes pela emigracao. Por ansiedade voltei a centilar durante a noite. Nao ha naturalidade ou providencia que ampare aquele garotinho que se despede de seus demais amigos para se auto-ostracizar longiquamente e depois voltar, apos o horario permitir, com lagrimas perenes e proferir saudades acumuladas. Existem os que sao excluidos, nao os que se excluem introduzindo a serenidade e o silencio do Atlantico. Quem me dera ser um Titao, pular sobre Gilbraltar, depois chegar ao Cabo Verde antes de chegar a minha destinacao desejada. Nao esta na epoca. Na Europa eh inverno, e nao chegou a hora das flores se ostentarem com seus perfumes maliciosos e das plantacoes serem recadadas. Os vegetais se adormescem ou sao inexistentes agora, os animais ja se foram para eu poder acompanha-los ubiquitoso, alguns dentre eles marmotam, mas eu permaneco. Infelizmente nao eh a minha hora. Brotava-se o medo intenso de perder tudo: a minha vida. Era ardil conter uma segunda. Entao dependia daquilo que me aguardava e carescia esta felicidade por 8 meses do meu ano. Sentia-eu as pulsoasoes tristonhas do meu coracao, estavam tao audiveis e veementes que chegara a me frenetizar em certos momentos. Conseguia esquentar o meu corpo. Na lareira ja nao havia mais fogo.

"Cilhos agitados e perenamente mergulhados.
A imundice caiu como um veu
De sorrisos efemeros se pereceu.
A tranquilidade dos seres espantalhados."

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