Monday, July 25, 2005

Assassinato de Walt. Parte I

Se posicionou na praca de trafalgar, acima da embaixada de Zambia, com seu GSE carregado por suas maos protegidas por suas luvas de couro. Ele esperou o momento chegar, segurando o papel com as instrucoes, tentando ler atenciosamente detalhe por detalhe: era um amador jovem com seu futuro pela frente. Um erro; um espectador com uma camera; uma pomba que lhe causaria uma deviacao fatal e a sua vida ja tomava fim com a surpresa da audiencia. Era como um coliseu romano, mirabolando circunspectamente, da esquerda a direita, entao encontrando Bosco em seu canto com sua arma na mao. Ele havia apenas um segundo para apontar e apertar o gatilho. Devia calcular a parabola da bala, saber acertar na testa do Premie, assim como dizia o papel. Uma bala na cabeca seguida por duas no peito, com um espaco de 1s entre cada impacto, sabendo aonde acertar quando o corpo for lancado para traz por efeito da primeira bala. Ele sentava tremendo e suando, tinha que acertar, nao podia errar. Qualquer erro minuto acabaria com a sua vida.

"Encare a vida Bosco!! Encare!" dizia o seu contratante no telefone um dia antes. "O Premie nao interviu no Genocidio da Africa, ele foi a causa primaria da morte de milhoes! Ele acabou com o tratado de Seguranca da America Latina e fez com que os nossos ancestrais passassem vergonha! Aperte o gatilho na hora certa e veja o assassino cair no chao!" Bosco ja nao queria mais ser responsavel pelo crime que iria cometer, mais havia tanta pressao de nacionalismo, tantas ordens que ele deveria obedecer, tanto medo que poderia ser utilisado como impeto para o ato que ele simplesmente nao podia voltar para tras. O Premie Walt Frostmann iria chegar em cerca de 32 minutos e a praca ja estava cheia de espectadores, carregando a bandeira azul e vermelha que denotava a liberdade ludibriada do pais. Tanto exceptionalismo, tantas lamentacoes. Bosco contemplava o seu dever, pensava na sua familia, no seu pais, era membro da Amnestia Internacional antes de se ingressar a brigada Brasileira do PSDB apos a falha por 2/3 de votos ao tentarem incluir o MST como partido politico no Senado. Bosco procurou se acalmar por um tempo, sentou no chao e aguardou a chegada do Premie Walt.

O que havia de especial naquela tarde? Nao havia vento. Haviam calculacoes concluidas pelo fisico Christopher Godoy sobre como o vento modificaria o rumo da bala, e como que a bala poderia ter mais impacto ao atingir o lider da superpotencia. O assassinato tinha como objetivo de mudar a ordem mundial, sem as consequencias do assassinato de Franz Ferdinand. Bosco nao queria ser outro Gavrilo Princip, ele nao queria ser a causa da despertacao de outras crueldades humanas, a sua unica acao era terminar com um mundo de terror e liberar o mundo de seus sofrimentos post-modernocoloniais. O PSDB esteve directamente envolvido recentimente com a ideia de um nacionalismo Brasileiro extremo, talvez a incepcao do assassinato de Walt tinha muito a ver com uma melhora na economia Brasileira que tanto sofria na epoca. Corrupcao sempre foi um efeito do Brasil, talvez porque Friedrich Hayek nunca foi levado a serio, ou entao as ideias de Rostow nao foram aplicadas genuinamente na economia Brasileira. "Ajude os pobres para ajudarem a si mesmos." algo talvez impossivel no Brasil, a saida era "Ajude a Elite para ajudar os Pobres". Impostos altos, juros que nao abaixam, medo e presenca de Riscos.

As fanfarras comecaram a tocar la fora e o carro de Walt ja vinha se aproximando. Bosco se aprumou direito, posicionou-se na janela do resuarante abandonado e esperou a chegada do Premie. Bosco procurava Walt com uma leve preocupacao admonitiva.

(a ser continuado...)

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