Friday, July 08, 2005

Sem Amor, Sem Valor [$0,00]

Fui jantar fora hoje para sair de casa, apenas sair de casa, para me afastar dos que me tratam mal. Cheguei no restaurante e eu acabei comendo algo pequeno e simples, depois tive a ideia clássica de ir passear pelas margens do rio. A lua estava cheia, e eu de baixo no escuro: quando percebi como eu estava cansado de viver. Cansado de viver sozinho, de ter que caminhar apenas com a minha sombra, de carecer um sorriso belo que seja lançado para mim, e somente para mim, de uma pessoa que eu ame. A solidão que não me reserva um sorriso é aquela que me causa insomnia. E é nela que encontro meus piores medos: pois sem amor estamos sozinhos, e sendo um eu fico mais vulnerável. Cansado de chorar pela lua, de tão bonita, de tão sólita que se espelha a quem eu sou. Cansado como um grão de pão na mesa, que deserdada do todo parece tão distinta. Cansado assim como os movimentos fluviais de um rio, que debaixo do manto da noite escura implora para ser retorquida.

A solidão que mata é aquela que ao percebermos, sabemos estar sós. E que sabemos como o amor é complicado, não poder amar, não poder beijar, não ter alguém com quem sorrir, não ter ninguém com quem contar, não ter ninguém para quem fugir, abraçar, cantar, não ter ninguém simples e humilde para que com quem uma convivência valha a pena. Temo ter perdido o meu coração: de me dedicar assiduamente para uma causa incógnita, perceber que não haverá princesa dormindo no final da minha história. Que eu sou um homem descartado, do qual ninguém percebe ao trotar do meu lado. Que eu sou o desamado, o desgramado, o desbotado: o titubeante errante do conto de fadas. Que eu jamais poderei amar, ou que não tenho charme, forma, esqueleto, olhos, ombros, cabelos, sotaque, mão bonita suficientes para ser signa de alguém que um dia eu poderia amar. Que não haja mais esperança para o caminho em que tomei, que não ha mais palavra Amor no meu Aurélio, que sem amor não ha lavor na alma, e sem a alma não haveria a dor da calma, que sem errar não é perder, e que perdendo eu fui errar, que os meus olhos foram abrir, que ao abrir meus olhos eram meus: do momento em ver alguém, de um amor tão intenso que ao desperceber. Vejo alguém a quem eu possa amar mais por ser feio, por não ser bonito, por não andar correcto, por não falar certo, por não ter charme, por carecer um jogo, por ser desfigurado, um erro, acalmado!! Eu decido que não ha chance de amar, que sem as sementes do amor não ha como cultivar a arvore da felicidade. Caio frívolo pelo chão e desmorrono-me; eu nunca mais deverei amar.

3 Comments:

At 1:27 AM, Anonymous Anonymous said...

Oiiee!conte sempre comigo pra td tah kerido??adoroo vcc
bjoo!

 
At 1:27 AM, Anonymous Anonymous said...

o ultimo comentario foi meu!'bjo

 
At 1:28 AM, Anonymous Anonymous said...

Opss..isso nao vaii!
hehe
espero q agora sim

 

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